AMOR AO BERROS



No leito de um hospital, uma senhora solitária chama a atenção de uma das enfermeiras.

Ao se aproximar, ela percebe que a mulher está lendo uma carta.

Mesmo chorando, suas lágrimas não pareciam de tristeza. Mas ela decide começar um diálogo:

" - A Senhora está sentindo alguma dor?

- Não, minha filha! Estou chorando por alegria e tristeza. Alegria pois hoje eu entendo o que é o amor e tristeza por saber que essa foi a última vez que li esta carta.

- Desculpe perguntar... Foi sua filha que te deu a carta?

- Não... essa carta foi escrita pelo meu falecido marido. Escreveu antes de morrer e deixou recomendações para que me entregassem quando ele não estivesse mais ao meu lado.

- É uma carta de amor e de despedida?

- Sim, nesta carta ele escreveu tudo o que passamos por anos, em forma de sentimentos.

Uma coisa que ele sempre dizia era que o amor não precisava ser gritado, ele precisava ser sentido. E apenas pelas partes interessadas. Um casal é feio de duas pessoas e mais ninguém precisava ter prova das declarações de ambos. Dizer que ama é muito bonito para quem é amado,

mas quando dito a outras pessoas se torna apenas palavras e imagem.


Passei minha vida toda achando que as pessoas que gritavam ao vento o seu amor, eram mais amadas do que eu. Que o importante era demonstrar carinho em público. Na minha cabeça, as pessoas felizes eram as melosas, que ficavam elogiando e babando um ao outro.

Mas aí eu via que na rua era uma coisa e em casa era outra, completamente diferente. O mesmo homem que berra o seu amor na frente de todos, trai a mulher que diz ser a mais

perfeita do mundo.

Hoje, agradeço o amor "realista" que eu e meu marido tínhamos.

- Nossa que bonito! Mas e sobre ser a última vez a ler essa carta...

- Minha hora chegou! "

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